Quarta-feira, Setembro 07, 2005
Radicalismo no combate ao aborto se equipara ao ato condenado!

No mesmo dia em que a imprensa americana anunciou um saldo de mortos estimado em mais de 10 mil pessoas, vítimas do furacão Katrina, grupos antiabortos comemoraram o índice de aborto zero, desde a tragédia, por não estar em funcionamento nenhuma clínica de aborto em Nova Orleans, atitude no mínimo lamentável.
Grupos antiabortos, ligados a setores extremamente conservadores da sociedade, agem de modo inapropriado ao confundirem o ato abominável com as pessoas que o praticam, condenando-as a rótulos inamovíveis, como se seres humanos estagnados ficassem em posições ideológicas e atitudes repreensíveis, para toda a eternidade. Mais que isso, ao adotarem atitudes de violência com o argumento de lutarem pela defesa da vida, agem de forma tão violenta quanto aqueles que são alvos do perigoso combate.
Não arredamos da posição de defesa da vida, em todas as instâncias, de defesa do embrião no ventre materno, desde a concepção, mas não contemplamos com atitudes radicais e perigosas, capazes de levar ao desequilíbrio e à desordem. Mais ainda, combatemos o aborto sem rotular quem o pratica, sem fechar as portas da compreensão do ser humano.
